sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A melhor escapada carioca: Térèze




Uma vontade louca de viajar para a Serra me fez pedir aos amigos indicações de boas pousadas . Entre as respostas tive a Pousada das Araras - Araras, Pousada da Alcobaca – Petrópolis, Pousada Terracota -Secretário, Tancamana - Itaipava e Rosa dos Ventos - Teresópolis-Friburgo.

Mas a dica que mais me tentou foi a do amigo e chef francês Damien Montecer: “Vem ao Hotel Santa Tereza. É melhor que a serra e você ainda vai conseguir esquecer do Rio, prometo. É a melhor escapada carioca!”

Dito e feito. Dois dias depois subi o bairro de Santa Tereza para conhecer o Hotel e o restaurante que o chef pilota. Só a 10 minutos de casa, acabei conhecendo um dos lugares mais simpáticos do Rio. De extremo bom gosto e sofisticado, o Hotel Santa Tereza oferece muito conforto e uma vista única.

Entre as atrações está o Bar dos Descasados que é uma antiga senzala encontrada nas escavações durante a reforma do Hotel. O local ainda oferece Spa (inclusive com massagens só para grávidas) e tem uma piscina linda. O restaurante gourmet Teréze é um escândalo e foi onde almoçamos.

Tem uma adega charmosa no meio do salão. A carta de vinhos é vasta e os preços ótimos. De entrada comi vieiras em tempura com salada de broto de soja. Este prato não está no cardápio e estava como sugestão do dia. O sabor era incrível. A melhor vieira que comi no Rio. O crocante da tempura e o broto eram delicados no sabor e na textura. Meus amigos quiseram o Foie gras com frutas e Salada de queijo de cabra com agrião e sorvete.

De prato principal escolhi o Cassoulet que é a feijoada francesa. Todo país tem a sua, não é? E como era sábado, resolvi pedir... Só que a deles é com feijão branco, peito de pato, coxa de pato e foie gras. Também pedimos Lombo de cordeiro e Filét. A boa surpresa da tarde foi a opção Coelho. Não é em qualquer lugar que a gente acha coelho pelo Rio.

Em geral, nós não estão acostumados a comer coelho. Isso me lembra da minha aula do coelho no Cordon Bleu, em Paris, quando todos os alunos brasileiros, venezuelanos e chilenos mataram esta aula prática depois de chorarem muito na teórica. Tenho certeza que eles entenderiam tudo depois de provar o coelho do Térèze! Que delícia!

Encerramos a tarde com um mix de várias sobremesas. Veja abaixo os pratos e me diga: para que sair do Rio?

Cassoulet impecável....

Filet com 6 pimentas com mix grill de legumes ...

Coelho com mustarda e rigatoni recheado...

Lombo de cordeiro marinado e grelhado no misso.

Mix de sobremesa...

R. Alm. Alexandrino, 660
Rio de Janeiro - RJ, 22451-300
(0xx)21 2222-2755

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Faisão Dourado: pena mesmo é não conhecer este restaurante

Estava preocupada em pegar a estrada Rio-BH. As famosas crateras sempre foram assunto recorrente entre os aventureiros que se arriscavam na perigosa travessia. Mas confesso que fiquei impressionada. A estrada estava quase perfeita e fizemos uma viagem tranquila. Creio que a operação Tapa Buracos serviu para alguma coisa. Nosso destino era Inhotim. No caminho paramos em Congonhas para ver a maior obra de Aleijadinho, nos hospedamos em BH e na volta passamos em Juiz de Fora.

Basílica de Aleijadinho. Tem mais 12 capelinhas. Obra prima.

A Última Ceia de Aleijadinho, um pouco bagunçado pois o santuário está sendo restaurado...

Belo Horizonte foi projetada como Brasília e idealizado pelo mesmo JK. Por isso paramos em Juiz de Fora, ex-capital mineira, para conhecer o lugar e almoçar. A cidade já teve uma época áurea e hoje está um pouco decadente com um certo ar saudoso, síndrome igual a do Rio de Janeiro.

Reparamos que Juiz de Fora tem uma arquitetura incrível que vai do início do século XX até os anos 50 com o modernismo. Outra pérola do local é a Universidade, considerada referência nacional até os dias de hoje. Já com bastante fome, acabamos parando em um restaurante fantástico, tanto no nome quanto na experiência, que existe (ou resiste) lá desde os anos 40: Faisão Dourado!

Fachada do restaurante Faisão Dourado em Juiz de Fora.

O que chama muito atenção no local é a decoração reduzida, elegante, com um letreiro iluminado ao fundo do salão, digno de obra de arte, meio Cult até. As paredes registram todos os famosos que por ali já passaram. Tom Jobim, Lulu Santos, Kid Abelha, Vinicius, Alceu Valença, Miguel Paiva, etc e etc. Vê-se que o local foi reformado, instalaram grandes ar-condicionados e pintaram as paredes. Mas só pintaram em volta dos autógrafos, deixando o local meio patinado e respeitando assinaturas de até várias décadas atrás que ficaram intactas.

Letreiro Maravilhoso!

Convidados ilustres...

Parece que o lugar parou no tempo. Os garçons simpáticos nos serviram à moda antiga. Fomos dar uma espiada na cozinha e o chef todo orgulhoso fez questão de aparecer e posar em uma foto. Exibia orgulhoso as praças. Espetáculo! Comemos um caldo verde de entrada. Delicioso. Depois pedimos uma bisteca de porco grelhada com couve, barata frita, caldinho de feijão e salada. As porções são enormes, por isso vale a pena dividir. Não tivemos espaço para sobremesa.

Chef com todo orgulho de sê-lo!

Na saída, o garçon que nos serviu ainda nos passou um tour imperdível. Que era conhecer o Cristo da cidade. Ele apontava lá para o alto de uma montanha: “Ali! Olha bem!” E lá no alto, realmente tinha um Cristo, cercado por antenas maiores que o próprio! Enfim, a visita foi divertidíssima e para quem passar por ali, não deixe de conhecer o Faisão Dourado!!! “Maravilha, quero voltar” como escreveu Tom Jobim na parede.

Detalhe da parede...

Endereço:
Rua Halfeld, 316
Centro


Funcionamento:
Atendimento todos os dias, almoço e jantar.

Cartões:
Visa e Mastercard.

Entregas:
(32)3215-9058

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Exposição 2em1

Clique no título para ler o comentário de Jozias Benedicto sobre a exposição coletiva 2em1.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Receita de Caracóis à Portuguesa


Caro amigo Celestino,
A Quinta de Mata Mouros é realmente muito bonita. Foi muito bom ter trabalhado para a família sempre muito gentil.
Vou publicar no meu blog seu e-mail. Obrigada!
No Brasil, não costumam comer caracóis, o que é uma pena! Eu adoro!
Terei que dar um pulo em Portugal de novo, em breve, para matar minha eterna saudade desses bichos saborosos!
Um grande abraço,
Rebecca


2009/8/18 CELESTINO MANUEL ABREU PINTO COSTA
Estimada amiga Rebecca
Permita que a trate assim
O meu nome é Celestino Costa,sou profissional na área de catering e em 2009 estive na Herdade de Mata-Mouros em Silves a fazer parte da equipa de catering ,que esteve a servir o jantar.
Como achei um sonho a herdade e apesar de não ter possibilidade de a ver na sua totalidade,resolvi através da net fazer a visita e qual não é o meu espanto que entre muitas coisas vi o seu lindissimo trabalho de arte culinário,e ao percorrer a informação ,verifiquei de que dizia que gostava de aprender a fazer os caraóis á Portuguesa
Daí a minha liberdade de a contactar e lhe enviar a maneira como faço os caracois na versão Portuguesa mas o mais natural possivel que tem feito as delicias dos meus amigos.
Votos que goste e possa adicionar ás suas receitas.


Eu costumo utilizar dois tipos de caracóis
Caracóis tipo canário,e caracois riscados
Normalmente costumo comprá-los na zona onde moro (Almada,no distrito de Setúbal)

Lavar os caracóis em várias águas até que eles fiquei limpinhos,de seguida deitá-los num tacho com água fria e colocar no lume baixo para que eles fiquei com o corpo saidos da casca,á medida que a água vai aquecendo lentamente pode colocar dois ou mais dentes de alho esmagados a murro,um pouco de azeite de boa qualidade,e quando a água levantar fervura deitar oas oregáos e o sal,deixar ferver mas com o lume brando até que ao retirar um caracol verifique que ele está cozido.deixar repousar um pouco e de seguida servir.

Toque pessoal.
Deitar só o sal quando a água começar a ferver senão os caracóis não saiem cá para fora,os oregãos também deve colocar após a água começar a ferver.
Quanto á quantidade do sal deve ser generosa a por até que cinta a água ficar um pouco para o salgado,
Para que os caracóis fiquem bons devem ser feitos pelo menos umas duas horas antes de servir,se por ventura náo tenha esse tempo e sejam para consumir quase de emediato á sua cozedura então deve aumentar a quantidade de sal.
Já agora um complemento final normalmente costumo servi-los acompanhado com o pão de mistura barrado com manteiga de boa qualidade e salpicados com oregãos indo ao forno até que fique torrado,servir quente é ver comer e pedir por mais.
Espero ter sido claro ao lhe dizer como eu faço e ao mesmo tempo, desejar-lhe um bom apetite na hora de os comer.
Se houver alguma dúvida no tipo de caracois diga que eu lhe mando umas fotos dos caracóis

Os meus respeitosos cumprimentos e sempre ao dispor
Celestino Costa

sábado, 1 de agosto de 2009

Rebecca Lockwood na exposição 2em1, Cavalariças do Parque lage – 01/08/09 a 6/09/09.

Deslocamento de perspectiva

A Chef carioca Rebecca Lockwood age no limiar do espaço dito da Arte e do espaço do quotidiano, este último definido por uma infinidade de elementos do Real, invisibilizados por sua banalidade, pela sua obviedade. O seu quadro de ação está definido pelos numerosos rituais de convivência que conformam o padrão internacional de serviço gastronômico. Ela desvia certos elementos do ritual, criando um extranhamento que torna visível aquilo que já há muito escapou, por hábito, ao âmbito do visível.

Rituais de convivência e estratégias de integração

É difícil classificar o que Rebecca faz. Vem sendo chamado de performance gastronômica, o que ao mesmo tempo é amplo demais e redutor. No ato inaugural da exposição 2em1, ela produz um coquetel que contem todas as características padrão de uma abertura de exposição ou de um evento de celebração. Porém, ela altera certos fatores. Já na exposição Associados, em 2007, Rebecca produziu a Sopa da Pedra, onde ela trouxe uma panela e uma pedra, convocando todos os participantes e visitantes a trazer ingredientes. Na ocasião do 2em1 ela trabalhou em estreita colaboração com a ANAERJ, a Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro e desenvolveu um conceito de coquetel onde o bar seria montado nas dimensões apropriadas para os membros da associação, de modo que os convives grandes teriam que se adequar aos barwomen e barmen anões. Sendo a integração um elemento fundamental da convivência, essa operação, que desvia o esperado pelo público, criou um ambiente e uma situação que transcendeu de longe o significado comum de um coquetel de inauguração, revelando preconceitos e a falta de convívio com a diferença no seio de nossa sociedade. Ao longo do evento, os convidados foram se acostumando ao tamanho, para eles inusitado, dos anfitriões. Rapidamente o ambiente ficou descontraído e a normalidade se estabeleceu. Todos (incluindo os pequenos amigos de Rebecca) com certeza saíram mais ricos de uma experiência, e com um mundo mais amplo, mais aberto e mais feliz. O ritual de convivência se torna uma experiência de vida e uma estratégia de integração.

Roberto Cabot

Rio de Janeiro, 02/08/2009

2em1- Notícia no RJTV - 1a Edição (30/07/2009)

Clique no título para ver o vídeo.

2em1


Chef Rebecca Lockwood - performance gastronômica