sábado, 1 de agosto de 2009

Rebecca Lockwood na exposição 2em1, Cavalariças do Parque lage – 01/08/09 a 6/09/09.

Deslocamento de perspectiva

A Chef carioca Rebecca Lockwood age no limiar do espaço dito da Arte e do espaço do quotidiano, este último definido por uma infinidade de elementos do Real, invisibilizados por sua banalidade, pela sua obviedade. O seu quadro de ação está definido pelos numerosos rituais de convivência que conformam o padrão internacional de serviço gastronômico. Ela desvia certos elementos do ritual, criando um extranhamento que torna visível aquilo que já há muito escapou, por hábito, ao âmbito do visível.

Rituais de convivência e estratégias de integração

É difícil classificar o que Rebecca faz. Vem sendo chamado de performance gastronômica, o que ao mesmo tempo é amplo demais e redutor. No ato inaugural da exposição 2em1, ela produz um coquetel que contem todas as características padrão de uma abertura de exposição ou de um evento de celebração. Porém, ela altera certos fatores. Já na exposição Associados, em 2007, Rebecca produziu a Sopa da Pedra, onde ela trouxe uma panela e uma pedra, convocando todos os participantes e visitantes a trazer ingredientes. Na ocasião do 2em1 ela trabalhou em estreita colaboração com a ANAERJ, a Associação de Nanismo do Estado do Rio de Janeiro e desenvolveu um conceito de coquetel onde o bar seria montado nas dimensões apropriadas para os membros da associação, de modo que os convives grandes teriam que se adequar aos barwomen e barmen anões. Sendo a integração um elemento fundamental da convivência, essa operação, que desvia o esperado pelo público, criou um ambiente e uma situação que transcendeu de longe o significado comum de um coquetel de inauguração, revelando preconceitos e a falta de convívio com a diferença no seio de nossa sociedade. Ao longo do evento, os convidados foram se acostumando ao tamanho, para eles inusitado, dos anfitriões. Rapidamente o ambiente ficou descontraído e a normalidade se estabeleceu. Todos (incluindo os pequenos amigos de Rebecca) com certeza saíram mais ricos de uma experiência, e com um mundo mais amplo, mais aberto e mais feliz. O ritual de convivência se torna uma experiência de vida e uma estratégia de integração.

Roberto Cabot

Rio de Janeiro, 02/08/2009

2em1- Notícia no RJTV - 1a Edição (30/07/2009)

Clique no título para ver o vídeo.

2em1


Chef Rebecca Lockwood - performance gastronômica

sexta-feira, 24 de julho de 2009

2em1




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Letras criam palavras,

Palavras tecem pensamentos,

Pensamentos constroem o mundo.

Oh!!! Profundidade das coisas pensadas...

É melhor voltarmos à superfície, aliás, a chuva que caiu durante a abertura da exposição 2 em 1, poderia formar um lago e nele nadarmos na superfície pensada. Melhor ainda que nadarmos seria navegarmos por essa superfície, por entre os ferros do andaime da obra visual ali instalada por Daniel e Cabot : - as cavalariças estão em obra?- perguntaram . – não, esta é a obra por nós determinada, e aqui colocada, e que permanecerá por tempos imemoriáveis, indefinidos, por gerações e gerações.

Uma explosão parecia vir de um dos lados, fomos remando até lá, e nada. Só vento, escuridão e medo. Quatro olhos claros como de dois gatos surgiram desse nada; eram Marta e Barrão sorrindo enquanto os outros – aqueles que observavam - eram só perplexidade. – é o nosso “ trem fantasma” percorrendo um único ponto nessa nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – pensavam os dois.

Continuamos e atracamos nosso barco na margem central das Cavalariças, saltamos e encontramos a desconcertante projeção da fachada interior/exterior, inclinada no chão. Algo assim como se transportássemos algum pedaço do céu para ali. Três monitores mostravam imagens de um exterior quase impensado : - é a nossa realidade sobre todas as cabeças – disseram Simone e Ricardo. Mas como assim, sobre as cabeças se você tem que olhar para baixo - alguém retrucou. – você olha pra onde quiser e sempre encontrará essa imagem aqui contida, aqui retratada – foi a resposta recebida.

Sob uma penumbra podíamos ver – agora em terra firme – algo tão sensível que só duas almas femininas juntas poderiam criar. Eram lápis cortados? Era o grafite grená desses lápis? – não, tudo isso é só luz sob outra forma de energia – falaram Suely e Carol.

Caminhamos e fomos para a floresta encantada no lago dos fundos; lá tinha uma festa, e tudo era a alegria construída por Rebecca: - mas por que anões? - lhe perguntaram. – porque, o tamanho, a cor ou o pensamento, é a alma. Assim consegui criar a representação da alma.

Voltamos pra terra firme e encontramos um monitor, onde nos víamos retratando nossos movimentos dentro dele. Era ali a “existência presente”, as “infinitas imagens no tempo”, como num texto corrido sem espaços ou pontuação. DanielaLabraFelipeScovinoDanielaLabraFelipeScovinoDanielaLabraFelipeScovino.

Do outro lado na parede um painel fotográfico com uma intensa luz sobre ele. Vários dizeres estavam lá - todos pensados por Luiz e Domingos – mas um deles conclui esse texto aqui: Qual a finalidade da arte? - Fazer o gol e partir pro abraço.

Ééé... acho que todos nós partimos pro abraço!

texto: LUIZ ALPHONSUS





2 em 1: uma odisséia no espaço das Cavalariças

Esta mostra coletiva apresenta obras de seis duplas - cinco de artistas e uma formada por críticos convidados - que ocupam o espaço das Cavalariças do Parque Lage. O projeto traz uma reflexão sobre o posicionamento de elementos que constituem a estrutura tradicional ou esperada de uma exposição, interrogando a questão da autoria ao expor trabalhos feitos a quatro mãos, ao mesmo tempo em que apaga a hierarquia de uma prática institucionalizada colocando lado a lado artista e curador.

Ao jogarem com tais questões, as duplas que formam o conjunto de 2 em 1 tornam perceptíveis o aspecto libertário e lúdico desta proposta, concebida e realizada por artistas que têm um compromisso com a experimentação e a investigação de novos formatos para a arte.

Sendo assim, as obras realizadas especialmente para esta mostra partem para caminhos experimentais e autônomos, que refletem a amplitude das práticas contemporâneas. Os trabalhos se apresentam em suportes diversos, tais como: intervenção arquitetural (Roberto Cabot e Daniel Toledo), arte sonora (Barrão e Marta Jourdan), video-performance (Daniela Labra e Felipe Scovino), fotografia (Luiz Alphonsus e Domingos Guimaraens), ambientação (Suely Farhi e Caroline Valansi) e instalação multimídia (Simone Michelin e Ricardo Ventura), além da gastronomia-performance da chef Rebeca Lockwood na inauguração do projeto.

Esta exposição é, então, uma aposta na reordenação dos campos de produção e prática do circuito de arte tradicional e na multiplicidade de linguagens que a contemporaneidade oferece.


texto DANIELA LABRA e FELIPE SCOVINO


PRODUÇÃO DA CONCEPÇÃO GASTRONÔMICA



Produção dos Isopores, dia 29/07/2009





Passou uma cara perguntando se as Cavalariças estava em obras?
Foi respondido: -Não, isso é uma obra.


"Face a Face" de Roberto Cabot e Daniel Toledo 32x14m





Festa Julina da Associação de Nanismo do Rio de Janeiro, em Madureira, dia 25/08/2009






quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mais sobre a Chef:

Rebecca Lockwood, 31 anos. Trabalha há algum tempo no meio artístico com propostas que se situam entre os rituais tradicionais da gastronomia e a arte contemporânea. Chef de Cozinha formada pelo Le Cordon Bleu, em Paris, e Jornalista formada pela UniverCidade, no Rio de Janeiro. Rebecca atua nas duas áreas, incluindo Produção Cultural com sua firma Villegagnon, onde faz a concepção e produção de livro e exposições. Produziu exposições de arte em Berlim, Paris, no Rio e em Búzios (2008 e 2009). Depois de uma passagem como chef pelas mais finas cozinhas da Europa (entre 2001 e 2008), também trabalhou na Sociedade Hípica Brasileira sendo responsável pela área social e cultural do clube, RJ (2007 e 2008). Participou com performance Nos Associados, na Orlândia, RJ (2007). Produz shows de música desde 1999.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

À Mesa com Burle Marx



Fui em uma exposição aqui no Rio, no Paço Imperial, que reúne várias pinturas, projetos, estamparias e desenhos desse artista surpreendente de olhar apaixonante. A exposição é imperdível. Na saída quis um catálogo que ainda não estava disponível mas em compensação tinha um livro recém lançado com receitas do Burle Marx. Que surpresa agradável!

Burle Marx foi paisagista, pintor, escultor, ceramista, desenhista, designer de jóias, de cristais, de cenários e figurinos para óperas, tapeceiro, criador de azulejos, vitrais e estamparias. Foi barítono, falava sete idiomas e ainda por cima cozinhava maravilhosamente bem.

O livro "À Mesa com Burle Marx" mostra as toalhas que ele mesmo pintava e usava para forrar a mesa dos almoços memoráveis que dava para os amigos em seu jardim. Gostava de pintar de manhã. Gostava de omelete com pão e muitas vezes comia pintando.

As fotos dos do livro com os pratos que ele adorava comer trazem macarrão de palmito pupunha e peixe grelhado com molho de pitanga e pimentão. Em todas as cidades que Burle Marx passou gostava de descobrir qual era a fruta da estação e o mercado mais perto.

Brasileiro convicto do seu super herói, certa vez disse: "Macunaíma me ensinou mais pintura que muitos pintores". E apreciava o "Les Diners de Gala", de Salvador Dali com as receitas da mulher Gala.

Burle Marx chegou ainda a pensar nos capítulos do seguinte livro de receitas:

1- Antropofagia - Os Índios Canibais - Os Padres sendo comidos, o filho de Rockefeller Michel, devorado por canibais na Nova Guiné em 1961. Cristãos - Corpo (hóstia) e sangue (vinho) de Cristo;
2- Barroco: As moças de família nos Conventos - Baba-de-moça, toucinho do céu, papo-de-anjo etc;
3- República - A decadência - Banquetes com Cisnes, galeras de camarão etc;
4- Os Bolos Surrealistas dos Suburbíos - O sonho de virgem junto com almofadas com paisagem, igreja com noivos, cestos de flores, leques etc;
5 - O Gosto Contemporâneo: as latas vazias, sujas, enferrujadas e empilhadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Alcachofra: a flor do verão 2009

A alcachofra é uma planta mediterrânea conhecida pelos povos gregos e árabes há muito tempo. Aqui, no Rio, nem sempre conseguimos comprar boas alcachofras com bom preço. Custa R$55 o kilo mas outro dia achei por R$3,50 (a unidade!) no supermercado e resolvi servir de entrada lá em casa para uns amigos.

Na medicina antiga era conhecida a propriedade terapêutica da alcachofra, como cura para febre, doenças do fígado, reumatismo e outros males, e até componente de um tônico antidepressivo. Também é considerada afrodisíaco (fonte: Il Carciofo, de Maria Montanari, 1996).

É só cozinhar na água com sal e limão. Coloca um louro que fica bom. Está pronto em mais ou menos 20 minutos, quando a folha se soltar ao puxar. Derrete uma manteiga com sálvia e vai molhando a folha nesse molho. Vai comendo até chegar no coração da alcachofra... delícia! Perfeito para esse verão no Rio que ainda não chegou. Aqui não para de chover...