sexta-feira, 24 de julho de 2009

2em1




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Letras criam palavras,

Palavras tecem pensamentos,

Pensamentos constroem o mundo.

Oh!!! Profundidade das coisas pensadas...

É melhor voltarmos à superfície, aliás, a chuva que caiu durante a abertura da exposição 2 em 1, poderia formar um lago e nele nadarmos na superfície pensada. Melhor ainda que nadarmos seria navegarmos por essa superfície, por entre os ferros do andaime da obra visual ali instalada por Daniel e Cabot : - as cavalariças estão em obra?- perguntaram . – não, esta é a obra por nós determinada, e aqui colocada, e que permanecerá por tempos imemoriáveis, indefinidos, por gerações e gerações.

Uma explosão parecia vir de um dos lados, fomos remando até lá, e nada. Só vento, escuridão e medo. Quatro olhos claros como de dois gatos surgiram desse nada; eram Marta e Barrão sorrindo enquanto os outros – aqueles que observavam - eram só perplexidade. – é o nosso “ trem fantasma” percorrendo um único ponto nessa nossa cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro – pensavam os dois.

Continuamos e atracamos nosso barco na margem central das Cavalariças, saltamos e encontramos a desconcertante projeção da fachada interior/exterior, inclinada no chão. Algo assim como se transportássemos algum pedaço do céu para ali. Três monitores mostravam imagens de um exterior quase impensado : - é a nossa realidade sobre todas as cabeças – disseram Simone e Ricardo. Mas como assim, sobre as cabeças se você tem que olhar para baixo - alguém retrucou. – você olha pra onde quiser e sempre encontrará essa imagem aqui contida, aqui retratada – foi a resposta recebida.

Sob uma penumbra podíamos ver – agora em terra firme – algo tão sensível que só duas almas femininas juntas poderiam criar. Eram lápis cortados? Era o grafite grená desses lápis? – não, tudo isso é só luz sob outra forma de energia – falaram Suely e Carol.

Caminhamos e fomos para a floresta encantada no lago dos fundos; lá tinha uma festa, e tudo era a alegria construída por Rebecca: - mas por que anões? - lhe perguntaram. – porque, o tamanho, a cor ou o pensamento, é a alma. Assim consegui criar a representação da alma.

Voltamos pra terra firme e encontramos um monitor, onde nos víamos retratando nossos movimentos dentro dele. Era ali a “existência presente”, as “infinitas imagens no tempo”, como num texto corrido sem espaços ou pontuação. DanielaLabraFelipeScovinoDanielaLabraFelipeScovinoDanielaLabraFelipeScovino.

Do outro lado na parede um painel fotográfico com uma intensa luz sobre ele. Vários dizeres estavam lá - todos pensados por Luiz e Domingos – mas um deles conclui esse texto aqui: Qual a finalidade da arte? - Fazer o gol e partir pro abraço.

Ééé... acho que todos nós partimos pro abraço!

texto: LUIZ ALPHONSUS





2 em 1: uma odisséia no espaço das Cavalariças

Esta mostra coletiva apresenta obras de seis duplas - cinco de artistas e uma formada por críticos convidados - que ocupam o espaço das Cavalariças do Parque Lage. O projeto traz uma reflexão sobre o posicionamento de elementos que constituem a estrutura tradicional ou esperada de uma exposição, interrogando a questão da autoria ao expor trabalhos feitos a quatro mãos, ao mesmo tempo em que apaga a hierarquia de uma prática institucionalizada colocando lado a lado artista e curador.

Ao jogarem com tais questões, as duplas que formam o conjunto de 2 em 1 tornam perceptíveis o aspecto libertário e lúdico desta proposta, concebida e realizada por artistas que têm um compromisso com a experimentação e a investigação de novos formatos para a arte.

Sendo assim, as obras realizadas especialmente para esta mostra partem para caminhos experimentais e autônomos, que refletem a amplitude das práticas contemporâneas. Os trabalhos se apresentam em suportes diversos, tais como: intervenção arquitetural (Roberto Cabot e Daniel Toledo), arte sonora (Barrão e Marta Jourdan), video-performance (Daniela Labra e Felipe Scovino), fotografia (Luiz Alphonsus e Domingos Guimaraens), ambientação (Suely Farhi e Caroline Valansi) e instalação multimídia (Simone Michelin e Ricardo Ventura), além da gastronomia-performance da chef Rebeca Lockwood na inauguração do projeto.

Esta exposição é, então, uma aposta na reordenação dos campos de produção e prática do circuito de arte tradicional e na multiplicidade de linguagens que a contemporaneidade oferece.


texto DANIELA LABRA e FELIPE SCOVINO


PRODUÇÃO DA CONCEPÇÃO GASTRONÔMICA



Produção dos Isopores, dia 29/07/2009





Passou uma cara perguntando se as Cavalariças estava em obras?
Foi respondido: -Não, isso é uma obra.


"Face a Face" de Roberto Cabot e Daniel Toledo 32x14m





Festa Julina da Associação de Nanismo do Rio de Janeiro, em Madureira, dia 25/08/2009






quinta-feira, 30 de abril de 2009

Mais sobre a Chef:

Rebecca Lockwood, 31 anos. Trabalha há algum tempo no meio artístico com propostas que se situam entre os rituais tradicionais da gastronomia e a arte contemporânea. Chef de Cozinha formada pelo Le Cordon Bleu, em Paris, e Jornalista formada pela UniverCidade, no Rio de Janeiro. Rebecca atua nas duas áreas, incluindo Produção Cultural com sua firma Villegagnon, onde faz a concepção e produção de livro e exposições. Produziu exposições de arte em Berlim, Paris, no Rio e em Búzios (2008 e 2009). Depois de uma passagem como chef pelas mais finas cozinhas da Europa (entre 2001 e 2008), também trabalhou na Sociedade Hípica Brasileira sendo responsável pela área social e cultural do clube, RJ (2007 e 2008). Participou com performance Nos Associados, na Orlândia, RJ (2007). Produz shows de música desde 1999.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

À Mesa com Burle Marx



Fui em uma exposição aqui no Rio, no Paço Imperial, que reúne várias pinturas, projetos, estamparias e desenhos desse artista surpreendente de olhar apaixonante. A exposição é imperdível. Na saída quis um catálogo que ainda não estava disponível mas em compensação tinha um livro recém lançado com receitas do Burle Marx. Que surpresa agradável!

Burle Marx foi paisagista, pintor, escultor, ceramista, desenhista, designer de jóias, de cristais, de cenários e figurinos para óperas, tapeceiro, criador de azulejos, vitrais e estamparias. Foi barítono, falava sete idiomas e ainda por cima cozinhava maravilhosamente bem.

O livro "À Mesa com Burle Marx" mostra as toalhas que ele mesmo pintava e usava para forrar a mesa dos almoços memoráveis que dava para os amigos em seu jardim. Gostava de pintar de manhã. Gostava de omelete com pão e muitas vezes comia pintando.

As fotos dos do livro com os pratos que ele adorava comer trazem macarrão de palmito pupunha e peixe grelhado com molho de pitanga e pimentão. Em todas as cidades que Burle Marx passou gostava de descobrir qual era a fruta da estação e o mercado mais perto.

Brasileiro convicto do seu super herói, certa vez disse: "Macunaíma me ensinou mais pintura que muitos pintores". E apreciava o "Les Diners de Gala", de Salvador Dali com as receitas da mulher Gala.

Burle Marx chegou ainda a pensar nos capítulos do seguinte livro de receitas:

1- Antropofagia - Os Índios Canibais - Os Padres sendo comidos, o filho de Rockefeller Michel, devorado por canibais na Nova Guiné em 1961. Cristãos - Corpo (hóstia) e sangue (vinho) de Cristo;
2- Barroco: As moças de família nos Conventos - Baba-de-moça, toucinho do céu, papo-de-anjo etc;
3- República - A decadência - Banquetes com Cisnes, galeras de camarão etc;
4- Os Bolos Surrealistas dos Suburbíos - O sonho de virgem junto com almofadas com paisagem, igreja com noivos, cestos de flores, leques etc;
5 - O Gosto Contemporâneo: as latas vazias, sujas, enferrujadas e empilhadas.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Alcachofra: a flor do verão 2009

A alcachofra é uma planta mediterrânea conhecida pelos povos gregos e árabes há muito tempo. Aqui, no Rio, nem sempre conseguimos comprar boas alcachofras com bom preço. Custa R$55 o kilo mas outro dia achei por R$3,50 (a unidade!) no supermercado e resolvi servir de entrada lá em casa para uns amigos.

Na medicina antiga era conhecida a propriedade terapêutica da alcachofra, como cura para febre, doenças do fígado, reumatismo e outros males, e até componente de um tônico antidepressivo. Também é considerada afrodisíaco (fonte: Il Carciofo, de Maria Montanari, 1996).

É só cozinhar na água com sal e limão. Coloca um louro que fica bom. Está pronto em mais ou menos 20 minutos, quando a folha se soltar ao puxar. Derrete uma manteiga com sálvia e vai molhando a folha nesse molho. Vai comendo até chegar no coração da alcachofra... delícia! Perfeito para esse verão no Rio que ainda não chegou. Aqui não para de chover...

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Portugal em poucas palavras


Azulejos históricos


em detalhe...


Mosteiro dos Jerônimos


Alfama


Jogativos na piscina


Grill da Discoteca Lux: comemora 10 anos de sucesso!


Cocares que tentaram vender a nós, brasileiros.


Tasca Zé Varunca, na rua mais antiga de Lisboa.




Uma imperial no Bairro alto...


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Peixe feito no forno com azeite de trufas e camarões.



Mesa de um jantar que estava preparando.




Lisboa vista de casa




A Francesinha do Porto: o segredo está no molho.


Pôr-do-sol na Foz, no Porto.


Centro Cultural Calouste Gulbenkian: obras de arte da natureza


Boa comida no Bairro alto


Cozinha alentejana... Açórda de Bacalhau.

domingo, 7 de setembro de 2008

Comendo arte em Berlim

Berlim é a capital da arte e quem curte ou trabalha com arte está com as antenas voltadas para lá. São centenas de galerias e ateliês. Pessoas andam pelas galerias e compram obras de arte como se estivessem fazendo shopping. O clima é de euforia.
Ainda é barato conseguir lugares muito grandes e preços bem pequenos e o país tem muito dinheiro.
Por isso estávamos lá. Cabot está com duas exposições de arte e eu fui dirigir a produção para ele depois da minha temporada como chef no Castelo de Feragudo.


A individual do Cabot na Galeria Scala: Alephology


Alephology


Alephology


Alephology

Além dessa individual, Cabot está no Museu Martin Gropius Bau, na exposição "Trópicos" como artista e autor de um dos ensaios do catálogo.


O Museu em primeiro plano.


por dentro


A projeção do Cabot


A vernissage contou com 3 mil pessoas.


O restaurtante no pátio externo é um delícia.

Nas tardes que o tempo dava uma trégua, gostávamos de almoçar no próprio museu. O preço com desconto para quem estava montando a exposição também foi simpático e, melhor que tudo, a comida gostosa. Checa:


Cordeiro com molho balsâmico agridoce.


Gravlax que acompanhava também uma batata gratinada.

Em Berlim, também experimentamos a cozinha asiática, com sushi e outras fusões. O melhor lugar é o "Kutchi" ou o restaurante ao lado chamado de "Next to Kutchi", os dois do mesmo dono e inesquecíveis. Comi um peixe cozido no vapor bem saboroso. O sushi também é ótimo mas a variedade dos pratos são uma aventura que um bom gourmet merece provar.





Como tudo na cidade é movida pela arte, procuramos saber o restaurante frenquatado por artistas e curadores. Descobrimos o Grill Royal, à Beira de um rio. Badaladíssimo, é muito difícil arranjar lugar. Depois do ABC, a feira de arte de Berlin, fomos para lá. Na verdade foi um pouco decepcionante descobrir que o lugar da moda nada mais é que uma churrascaria, com um decor um pouco diferente, mas nada mais que uma churrascaria.


Feira ABC (Art Berlin Contemporary)


Grill Royal


Grill Royal


Grill Royal


Pedimos este viado grelhado mas a melhor opção é pedir as carnes argentinas. Não queira peixe!

Outro restuarante que merece um visita é o Lutter & Wegner. Na verdade é uma cadeia alemã, criada em 1811, especializada em vinhos. Tem preço diferentes para levar a garrafa e não beber no local. Mas vale a pena sentar e provar a comida. Comemos uma salsicha preta do Benser's que é do melhor açougue da cidade, acompanhado de maça batatas e cebola empanada na cerveja. Um delírio!



Depois o almoço fomos vera exposição "Babylon" que como os trópicos, misturava obras de arte contemporâneas com arte antiga, só que de forma didática. Preferi a exposição "Trópicos" mas a de arte antiga grega impressiona. A gente andava no meio das colunas e subia templos inteiros, intactos e bem cuidados. Tudo nesse Museum Berlin. Nem a Grécia deve ter isso mais por lá.




Depois um shopping no Desvio para o Vermelho...

A comida alemã, de Berlin pelo menos, é bem pesada, tem muita fritura e as porções são gigantes. O filé a milanesa deles, chamado de wiener Schnitzel, é o prato mais apreciado. Provamos um monte deles mas o melhor que conseguimos foi no Café Einstein. Um restuarante típico, com o serviço a moda antiga e impecável. Vale deixar 20% de gorjeta.





Também do Café Einstein: Rocambole de legumes.

Outra noite, fomos atraídos pelo cartaz da "Max und Moris". Um restaurante antigo, que leva o nome de dois personagens do imaginário infantil da Alemanha. O local é uma das poucas coisas que restaram da 1a. e da 2a. Guerras Mundiais. Fica na Oranienstrassse número 162.


Depois fomos no "Hotel" que é um bar cubano do artista também cubano Pozo. Fica perto do restaurante.




Estou me esquecendo de alguns lugares agora mas fica pra depois. Para resumir, saca só alguns pratos barra pesados, do tipo bem alemão mesmo:









Adorei a experiência. Agora, é fazer as malas e partir para terras Lusitanas.